COVID-19 e Linfoma não Hodgkin Agressivo. Frente a pandemia de COVID-19 e muitas perguntas que temos sobre condições hematológicas, estamos adaptando esse questionário publicado no site da Sociedade Americana de Hematologia:

COVID-19 e Linfoma não Hodgkin Agressivo

COVID-19 e Linfoma não Hodgkin Agressivo – Atualização em 30 de março de 2020

Fui diagnosticado com um linfoma não Hodgkin agressivo. Como deve ser a abordagem da terapia inicial?

O R-CHOP continua a ser o padrão de tratamento para o linfoma difuso de grandes células B, com o DA-EPOCH-R indicado apenas para linfomas de células B primários de mediastino ou chamados double hit.

Enquanto o DA-EPOCH-R visa a mielossupressão com aumento de dose até que haja neutropenia e / ou trombocitopenia, é necessariamente um regime mais tóxico e, na maioria das instituições, requer hospitalização. Centros com capacidade para administrar essa terapia ambulatorialmente estão incentivando essa abordagem. Outros estão avaliando benefícios e riscos para cada paciente com células B primários de mediastino ou chamados double hit.

O R-CHOP (ou R-CHOP-14) +/- radioterapia consolidativa para alguns pacientes com linfomas de células B primários de mediastino é uma alternativa.

Para pacientes idosos, recomenda-se o R-mini-CHOP com suporte ao fator de crescimento.

Para aqueles com alto risco de envolvimento do SNC, recomenda-se dois ciclos de altas doses de metotrexato, cujo momento deve ser individualizado. O número ideal de ciclos é desconhecido. Para pacientes que recebem DA-EPOCH-R, o metotrexato em altas doses não é facilmente integrado ao programa, e o metotrexato em intratecal é uma alternativa.

Para doença em estágio limitado, recomenda-se R-CHOP X 4 em vez de terapia combinada.

Já iniciei meu tratamento, devo mudá-lo agora?

Nenhum dos especialistas ainda mudou o tratamento para aqueles que já estão em tratamento.

Meu médico deveria mudar de terapia para minimizar as visitas? Por exemplo, mudar para regimes orais ou menos frequentes?

A telemedicina está substituindo as visitas que não são coincidentes com o tratamento. Regimes orais – por exemplo com lenalidomida – estão sendo utilizados por alguns especialistas no cenário recidivado / refratário.

Como ficam as recomendações de tratamento para doença recidivante / refratária?

A maioria dos especialistas continua oferecendo quimioterapia de segunda linha em alta dose e autoTMO para pacientes com doença recidivante / refratária. Os regimes ambulatoriais são preferidos quando possível e também são uma alternativa para pacientes não transplantados.

A quimioterapia de alta dose e autoTMO pode ser postergada em muitos casos se outro regime de quimioterapia ambulatorial puder ser administrado. A escassez de sangue prevista para as próximas semanas pode limitar a disponibilidade de transplantes.

Existem alterações na abordagem para os cuidados de suporte?

A maioria dos especialistas está usando o fator de crescimento rotineiramente no ambiente atual. Existem algumas preocupações teóricas de que o filgrastim pode exacerbar os efeitos respiratórios da infecção por COVID-19, mas até o momento não há contra-indicação ao fatores de crescimento em pacientes que tem maior risco de evoluir com neutropenia.

Lembre-se sempre que o seu médico hematologista de confiança está atento ao seu caso específico, para realizar as alterações que forem necessárias em seu tratamento.

Referência: American Society of Hematology

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