
Tratamento com Imunoterapia para o Câncer no Sangue

Publicado: 10 de abril de 2026

Hematologista
Dr. Marcel Brunetto
CRM 109.334
A imunoterapia para o câncer no sangue usa o sistema imunológico do corpo para ajudar a combater a doença.
Esta forma de tratamento pode trabalhar diretamente com o sistema imunológico para retardar o crescimento das células cancerígenas. Ou, indiretamente, pode preparar o sistema imunológico para destruir ou atacar estas.
Veja neste artigo mais informações sobre o tratamento com imunoterapia, especificamente nas neoplasias sanguíneas.
Conteúdo do Artigo
Imunoterapia para o Câncer no Sangue
A imunoterapia consiste em maneiras descobertas para aproveitar o sistema imunológico ou seus componentes para combater o câncer.
Nosso sistema imunológico compreende órgãos, células e proteínas que nos ajudam a combater infecções e doenças. Ele é programado para reconhecer coisas que não fazem parte do nosso próprio corpo, incluindo bactérias, vírus e fungos. Ao mesmo tempo, as células do sistema imunológico reconhecem o que é parte do próprio corpo, para não atacar.
O sistema imunológico, no entanto, tem uma capacidade limitada de matar células cancerígenas, porque elas não são diferentes o suficiente para o sistema imunológico reconhecê-las como estranhas. O câncer também pode tornar as células do sistema imunológico fracas e incapazes.
A imunoterapia é uma abordagem que se tornou mais popular para o tratamento do câncer. Isso porque tem ajudado a tratar cânceres que não respondem aos tratamentos estabelecidos, como quimioterapia ou radiação. Em alguns casos, é combinada com outros tratamentos de câncer para aumentar sua eficácia.
Tipos de Imunoterapia para o Câncer no Sangue
Os seguintes medicamentos e substâncias naturais podem estimular o sistema imunológico para combater o câncer no sangue:
Citocinas
Proteínas sinalizadoras feitas pelos glóbulos brancos para regular a resposta imune e retardar o crescimento das células cancerígenas. Interferon e interleucina são duas citocinas comuns.
Terapia Gênica
Esta abordagem envolve a inserção de material genético nas células para combater o câncer no sangue usando um vetor viral.
Imunomoduladores
Essas substâncias afetam a maneira como as células interagem e se sinalizam para se dividir e crescer. A pomalidomida e a talidomida são imunomoduladores.
Anticorpos Monoclonais
Esses anticorpos produzidos em laboratório são administrados por infusão intravenosa e se ligam a células cancerosas. Isso permite que o sistema imunológico mate as células cancerígenas no sangue e na medula óssea.
Anticorpos Biespecíficos
Esta é uma das maiores inovações recentes na hematologia. Pense neles como uma espécie de “algema dupla” ou um ímã de dois polos criado em laboratório. Um lado desse anticorpo se liga diretamente à célula do câncer, enquanto o outro lado “puxa” a sua célula de defesa (o linfócito T) para bem perto dela.
Ao forçar esse encontro cara a cara, o seu sistema imune é ativado e destrói o tumor. Essa terapia tem proporcionado bons resultados especialmente no tratamento do mieloma múltiplo e de linfomas que já não respondiam a outros medicamentos.
Terapia com Células CAR-T (Transferência Celular)
Essa é a verdadeira fronteira da medicina personalizada. Nós literalmente coletamos as suas células de defesa do sangue e as enviamos para um laboratório de altíssima tecnologia.
Lá, elas são reprogramadas geneticamente, como se estivéssemos instalando um “GPS” superpotente nelas, programado para caçar especificamente o seu tipo de câncer. Quando devolvemos essas células para as suas veias, elas se multiplicam e podem oferecer respostas profundas e, em alguns casos, duradouras contra leucemias, linfomas e mielomas.
Transplante Alogênico de Células-Tronco
Uma das formas mais antigas de imunoterapia. O termo “alogênico” descreve as células que vêm de outras pessoas, como de um parente, pessoa não relacionada, parente parcialmente pareado ou sangue do cordão umbilical.
As células-tronco alogênicas chegam ao sangue do receptor e reprogramam o seu sistema imunológico. Como resultado, o sistema de células do sangue do paciente mudará, desenvolvendo as mesmas características do doador.
Entre outros, o grupo sanguíneo mudará para o grupo sanguíneo do doador, enquanto as células do sistema imunológico do doador se desenvolverão no corpo do paciente. Essas células têm o potencial de reconhecer células cancerígenas como estranhas e matá-las.
Efeitos da Imunoterapia
Assim como todas as drogas quimioterápicas funcionam de maneira ligeiramente diferente, cada tipo de imunoterapia também é único.
As terapias com células T, por exemplo, são usadas para modificar geneticamente as células T de um paciente para que possam identificar com mais eficácia as células cancerosas.
Os anticorpos monoclonais (que às vezes estão ligados a toxinas que podem matar diretamente as células neoplásicas) têm como alvo e atacam proteínas específicas na superfície dessas células.
As infusões de linfócitos do doador usam células do sistema imunológico de um doador de transplante para direcionar as células cancerosas que permanecem no corpo após a quimioterapia, enquanto as vacinas funcionam de maneira semelhante, mas usam compostos especialmente criados para desencadear uma resposta imunológica.
Os efeitos colaterais da imunoterapia dependem dos agentes usados e diferem de pessoa para pessoa.
Como essas terapias mais modernas “acordam” o sistema imune com força, o corpo pode reagir de forma intensa. O efeito colateral mais importante que nós, hematologistas, monitoramos de perto é a chamada Síndrome de Liberação de Citocinas (SLC).
Imagine que o seu exército de defesa entrou em uma batalha tão intensa contra o tumor que acabou gerando uma grande inflamação no campo de batalha (o seu corpo). Isso não é necessariamente ruim, pois mostra que o remédio está agindo, mas pode causar febres muito altas, quedas severas de pressão arterial e falta de ar.
Algumas imunoterapias também podem causar confusão mental temporária, um quadro conhecido como neurotoxicidade. Por isso, o manejo dessas medicações não é simples e, muitas vezes, exige uma internação inicial para garantirmos a sua total segurança.
Buscando a Terapia mais Indicada para o seu Caso
A imunoterapia representa uma verdadeira mudança de paradigma na hematologia, deixando de focar apenas na destruição tóxica direta do tumor para, em vez disso, ensinar e capacitar o seu próprio corpo a se defender. Como você pôde ver, desde o uso de anticorpos inteligentes criados em laboratório até a reprogramação genética das suas próprias células de defesa, o arsenal contra os cânceres do sangue nunca foi tão inteligente, direcionado e cheio de esperança.
No entanto, essa altíssima tecnologia traz uma complexidade. Escolher a imunoterapia exata para o seu subtipo de doença, avaliar se o seu corpo está apto para recebê-la e, principalmente, manejar as reações intensas que o seu sistema imunológico pode apresentar requer a expertise contínua de um médico hematologista extremamente atualizado.
Somente um profissional altamente especializado pode traçar o seu plano com segurança, garantindo que você receba a dose certa de inovação no momento exato em que a sua saúde mais precisa.
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Artigo Publicado em: 13 de nov de 2020 e Atualizado em: 10 de abr de 2026

