
Tratamento com Células T CAR para Linfomas

Atualizado: 18 de dezembro de 2025

Hematologista
Dr. Marcel Brunetto
CRM 109.334
Células T CAR para Linfomas. A terapia com células T CAR é uma opção de tratamento que usa as próprias defesas do seu corpo para combater o câncer. Para pacientes com linfomas como o de grandes células B ou de células do manto, essa abordagem pode significar remissões duradouras, mas vem com desafios, como efeitos colaterais intensos. O impacto na vida é profundo: pode restaurar esperança em quem já viu portas se fecharem, mas exige preparação física e emocional.
Neste artigo, saiba mais sobre a terapia com células T CAR para linfomas, como ela funciona, quem pode se beneficiar e os esforços para sua incorporação e produção aqui no Brasil.
Conteúdo do Artigo
O Que É a Terapia com Células T CAR?
A terapia com células T CAR, ou terapia com receptor quimérico de antígeno em células T, é uma forma avançada de imunoterapia. Pense nela como um exército personalizado: as células T, que são parte do seu sistema imune, são retiradas do corpo, modificadas em laboratório para reconhecer e atacar especificamente as células do linfoma, multiplicadas em bilhões e reinfundidas.
Essa modificação envolve inserir um gene que cria receptores artificiais na superfície das células T, capazes de identificar proteínas como o CD19, comum em linfomas de células B. As células T CAR não só atacam o linfoma visível, mas também patrulham o corpo em busca de células escondidas, potencializando remissões longas.
Como Funciona o Processo Passo a Passo
O tratamento é realizado em centros certificados, onde uma equipe multidisciplinar cuida de tudo. Aqui vai uma visão geral dos passos principais:
- Coleta de células T: uma máquina separa as células T do sangue, sem cirurgias invasivas;
- Modificação genética: no laboratório, as células recebem o gene CAR, visando proteínas no linfoma;
- Expansão e infusão: as células são cultivadas e reinfundidas por via intravenosa;
- Monitoramento pós-infusão: você fica no hospital por pelo menos 10 dias, realizando exames para detectar respostas precoces.
Tipos de Terapias Aprovadas para Linfomas
Atualmente, várias terapias com células T CAR estão aprovadas para linfomas refratários ou recidivantes, especialmente os de células B. Elas diferem ligeiramente no alvo ou no processo de fabricação, mas todas visam o CD19, uma proteína comum nessas doenças. Você pode se beneficiar delas se o linfoma não respondeu a pelo menos duas linhas de tratamento anterior.
Aqui estão as principais aprovadas:
- Axicabtagene ciloleucel (Yescarta): indicada para linfoma de grandes células B recidivante, com taxas de resposta completa em até 80% em estudos iniciais;
- Tisagenlecleucel (Kymriah): usada para linfoma de grandes células B, mostrando remissões duradouras em mais de 50% dos pacientes após 5 anos;
- Lisocabtagene maraleucel (Breyanzi): para linfoma de grandes células B e folicular, com menor incidência de efeitos neurológicos;
- Brexucabtagene autoleucel (Tecartus): específica para linfoma de células do manto, com respostas em cerca de 87% dos casos.
Essas opções, baseadas em ensaios clínicos robustos, mudaram o prognóstico para pacientes que antes tinham poucas alternativas. No entanto, a elegibilidade depende de fatores como idade, saúde geral e tipo exato de linfoma – um hematologista de confiança avalia esses fatores com cuidado para indicar este procedimento.
Benefícios e Riscos da Terapia
A terapia com células T CAR oferece benefícios, especialmente para linfomas refratários. Para alguns, isso significa anos sem doença, permitindo retomar viagens, trabalho ou tempo com os netos.
Mas nem tudo é simples. Os riscos incluem:
- Síndrome de liberação de citocinas (CRS), uma reação inflamatória que causa febre e hipotensão, afetando quase todos os pacientes, mas gerenciável com medicamentos;
- Neurotoxicidade ocorre em até 25%, com sintomas como confusão ou tremores, resolvendo em semanas na maioria dos casos;
- Infecções e baixa contagem de células sanguíneas são comuns nos primeiros meses, exigindo hospitalização.
Efeitos Colaterais e Como Gerenciá-los
A CRS pode surgir em dias após a infusão, como uma tempestade de citocinas liberadas pelas células T ativadas. É tratada com suporte intensivo, incluindo esteroides e oxigênio. Já a Neurotoxicidade é monitorada e respondem bem a intervenções precoces.
Aqui vão algumas dicas para lidar com os efeitos:
- Prepare-se para fadiga: descanse, mas mova-se levemente para manter a circulação;
- Combata infecções: lave as mãos e evite multidões nos primeiros meses;
- Apoio emocional: grupos de pacientes ajudam a processar o estresse da incerteza.
Com gerenciamento proativo, a maioria dos pacientes supera esses desafios e vê melhorias significativas.
Como Está o Tratamento com Células T CAR no Brasil
O tratamento com células T CAR para linfomas está avançado e já é utilizado no Brasil, principalmente para linfoma difuso de grandes células B (linfoma não-Hodgkin), em casos recidivados ou refratários.
No Brasil, centros como o Hospital A.C. Camargo e o Hemocentro de Ribeirão Preto (USP) vêm aplicando a terapia e desenvolvendo pesquisas clínicas.
Assim, as células T CAR já chegaram ao Brasil e estão sendo aplicadas para linfomas refratários, com pesquisas em andamento para ampliar sua disponibilidade e garantir segurança e eficácia para os pacientes.
Em Resumo
A terapia com células T CAR é uma inovação que reprograma suas células imunes para combater linfomas refratários, mostrando remissões em até 80% dos casos. No Brasil, avanços como produção local no INCA e ensaios clínicos expandem o acesso, apesar de desafios como custo e logística.
Efeitos colaterais importantes incluem reações inflamatórias que podem demandar UTI e sintomas neurológicos transitórios, como confusão mental e convulsões, o que requer monitoramento especializado. Mas com o suporte de uma equipe médica especializada, você pode navegar por esse processo e retomar os aspectos positivos da sua rotina.
Buscar um hematologista de confiança é essencial para avaliar elegibilidade e gerenciar riscos como CRS ou infecções. Com suporte multidisciplinar, você pode retomar uma vida plena com esse tratamento.

