
Como Funciona o Tratamento da Leucemia

Publicado: 29 de maio de 2026

Hematologista
Dr. Marcel Brunetto
CRM 109.334
O tratamento da leucemia pode ser diferente para cada paciente, dependendo de fatores como o subtipo da doença, a fase clínica e o perfil molecular. A escolha do tratamento depende do subtipo da leucemia, da biologia molecular da doença, do risco de recaída, da idade, das comorbidades, da resposta ao tratamento inicial e, em alguns casos, do acometimento do sistema nervoso central.
Com a leitura deste artigo, saiba mais sobre os aspectos que levamos em consideração ao propor cada método de tratamento para um paciente.
Conteúdo do Artigo
O Tratamento da Leucemia
Como a leucemia é uma neoplasia sistêmica das células hematopoéticas, a base do tratamento costuma ser sistêmica. Radioterapia e cirurgia têm papel limitado e são reservadas para situações específicas, como acometimento localizado do sistema nervoso central, controle de complicações ou medidas paliativas.
Em vez disso, podem ser usados quimioterapia, terapias-alvo, anticorpos monoclonais, imunoterapias e transplante de células-tronco hematopoéticas, isoladamente ou em combinação, conforme o subtipo da leucemia e o risco individual do paciente. Em alguns casos, um período de espera atenta pode ser apropriado.
Abordagens pelo Tipo da Leucemia
Para decidir entre os diferentes tipos de tratamentos, é útil entender as abordagens de tratamento para os diferentes tipos de leucemia. Veja a seguir informações detalhadas de cada opção:
Leucemia Linfocítica Aguda (LLA)
Para a LLA, o tratamento costuma ser prolongado e é dividido em fases, com duração e intensidade ajustadas ao risco biológico e à resposta terapêutica. Começa com o tratamento de indução e com o objetivo de remissão. A quimioterapia de consolidação é usada para reduzir a doença residual e diminuir o risco de recaída, com duração e composição variando conforme o protocolo. O transplante de células-tronco hematopoéticas é reservado para situações de maior risco, recaída ou resposta subótima, de acordo com critérios prognósticos e moleculares.
Após a terapia de consolidação, a quimioterapia de manutenção é administrada, geralmente em uma dose menor, para reduzir ainda mais o risco de recaída, com o objetivo de sobrevivência a longo prazo. Se as células de leucemia são encontradas no sistema nervoso central, a quimioterapia é administrada diretamente no líquido espinhal.
A radioterapia é usada apenas em situações selecionadas, como doença no sistema nervoso central, massa tumoral específica ou complicações locais; hoje, o controle do SNC depende principalmente de quimioterapia intratecal e terapia sistêmica apropriada.
Infelizmente, as drogas quimioterápicas não penetram bem no cérebro e na medula espinhal devido à presença da barreira hematoencefálica, uma estreita rede de capilares que limita a capacidade de substâncias consideradas estranhas de entrar no cérebro. Por esse motivo, muitas pessoas recebem tratamento preventivo para evitar que as células de leucemia atinjam o sistema nervoso central.
Leucemia Mieloide Aguda (LMA)
Semelhante ao tratamento da LLA, o tratamento da leucemia mieloide aguda geralmente começa com a quimioterapia de indução. Após a remissão, o tratamento de pós-remissão pode incluir quimioterapia adicional, terapias-alvo e, em pacientes selecionados com maior risco, transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. Entre os tratamentos para leucemia, aqueles para LMA tendem a ser os mais intensos e suprimem o sistema imunológico em maior grau.
Os pacientes com mais de 60 anos podem ser tratados com quimioterapia menos intensa ou cuidados paliativos, dependendo do subtipo de leucemia e saúde geral. Leucemia promielocítica aguda (APL) é tratada com medicamentos adicionais e tem um prognóstico muito bom.
Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)
Nos estágios iniciais da leucemia linfocítica crônica, um período sem tratamento conhecido como espera atenta pode ser a melhor escolha, mesmo que a contagem de glóbulos brancos seja muito alta. Quando há indicação de tratamento, as opções atuais incluem inibidores de BTK e esquemas baseados em venetoclax, com ou sem anticorpos monoclonais, de acordo com o perfil genético, as comorbidades e os objetivos terapêuticos.
Leucemia Mieloide Crônica (LMC)
Com leucemia mieloide crônica, os inibidores da tirosina quinase (TKIs), um tipo de terapia direcionada, revolucionaram o tratamento da doença e resultaram em uma grande melhoria na sobrevida nas últimas duas décadas. Esses medicamentos têm como alvo a proteína BCR-ABL, que faz com que as células cancerígenas cresçam.
Para pacientes com resistência ou intolerância a TKIs, a escolha costuma envolver a troca para outro inibidor de tirosina quinase, guiada pela resposta molecular e por mutações de BCR::ABL1. O interferon peguilado pode ser considerado em situações selecionadas, especialmente quando há limitações para o uso de TKIs, embora hoje seu papel seja mais restrito.
Antes da era dos TKIs, o transplante tinha papel central; atualmente, ele é reservado principalmente para falha de múltiplas linhas, progressão da doença ou cenários selecionados de alto risco.
Etapas do Tratamento
Alguns tratamentos de leucemia são fornecidos em três fases, cada uma com um objetivo específico:
- Terapia de indução – seu objetivo é matar o máximo possível de células de leucemia no sangue e na medula óssea para atingir a remissão. Geralmente dura de quatro a seis semanas;
- Consolidação – segue a remissão e pode variar bastante conforme o subtipo de leucemia e o protocolo, não tendo duração fixa para todos os casos;
- Terapia de manutenção – é usada em subtipos específicos, especialmente na LLA, e sua duração depende do protocolo e do risco de recaída.
A profilaxia ou o tratamento do sistema nervoso central é incorporado em momentos definidos do protocolo, sobretudo nas leucemias agudas, por via intratecal e, em casos selecionados, com radioterapia. Isso é feito para matar as células cancerosas que se escondem nessas áreas do corpo onde a quimioterapia não pode alcançar.
Outros tratamentos de leucemia não têm fases e são administrados indefinidamente. O tratamento é retomado ou alterado se a leucemia voltar ou apresentar recidiva.
Quando Considerar a Espera Vigilante
Nem toda leucemia exige tratamento imediato ao diagnóstico. Na LLC assintomática inicial, a observação vigilante é padrão; em outras leucemias, a estratégia depende do subtipo e do risco biológico. Muitas pessoas com esse tipo de leucemia não precisam de tratamento nos estágios iniciais da doença, e um período de observação vigilante ou vigilância ativa é considerado uma opção de tratamento padrão viável.
A observação vigilante não é ausência de cuidado: envolve acompanhamento clínico e laboratorial regular, com início do tratamento quando surgem critérios objetivos de progressão.
Nesta abordagem, as contagens sanguíneas são realizadas a cada poucos meses e o tratamento é iniciado se forem observados sintomas característicos, como:
- Febre;
- Sudorese noturna;
- Fadiga;
- Perda de peso maior que 10% da massa corporal;
- Insuficiência progressiva da medula óssea;
- Contagem de plaquetas ou de glóbulos brancos muito elevada;
- Gânglios linfáticos dolorosamente aumentados;
- Fígado e / ou baço significativamente aumentados.
Abordagens Complementares
Atualmente, não existem tratamentos alternativos que, sozinhos, sejam eficazes no tratamento da leucemia, embora alguns tratamentos integrados, como meditação, oração, ioga e massagem, possam ajudar as pessoas a lidar com os sintomas da leucemia e seus tratamentos.
Embora muitas pessoas acreditem que vitaminas, minerais e suplementos dietéticos sejam relativamente inofensivos, é importante saber que algumas vitaminas podem interferir nos tratamentos contra o câncer. Converse com o seu médico hematologista de confiança antes de iniciar o uso de qualquer suplemento.
Considerações Finais
É importante considerar que um plano de tratamento será desenvolvido especificamente para o seu caso. Vários dos métodos de tratamento descritos acima farão parte do seu plano de tratamento.
Seu médico hematologista de confiança irá determinar definirá o plano com base no subtipo da leucemia, na genética da doença, na idade, nas comorbidades e na resposta ao tratamento inicial.
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Artigo Publicado em: 11 de dez de 2020 e Atualizado em: 29 de mai de 2026

