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O estágio de um câncer diz ao seu médico até onde ele cresceu ou se espalhou. Assim, saber qual o estadiamento do mieloma múltiplo ajuda a decidir qual tratamento é mais indicado para o paciente.

Com a leitura deste artigo, você compreenderá quais aspectos consideramos para prever a progressão do mieloma e desenvolver um plano de tratamento.

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O Estadiamento do Mieloma Múltiplo

Atualmente, utilizamos dois sistemas de estadiamento: o sistema de estadiamento Durie-Salmon ou o mais recente sistema internacional de estadiamento: o International Staging System. Usamos também os termos mieloma latente ou mieloma assintomático para descrever a doença quando sua presença é mínima, com pouca evidência de progressão.

Sistema de Estadiamento Durie-Salmon

O sistema de estadiamento Durie-Salmon calcula o estágio do mieloma de acordo com:

  • Concentração de hemoglobina;
  • Nível de cálcio no sangue;
  • Presença de lesões ósseas em estudos de imagem para determinar a extensão do mieloma;
  • Quantidade da proteína M no sangue e na urina;
  • Nível de função renal.

O sistema de estadiamento de Durie-Salmon é um sistema mais antigo que divide os pacientes em três estágios: Estágios I, II e III, correspondendo a baixa, intermediária e alta massa celular, dependendo da gravidade da anemia, nível de cálcio, função renal, presença ou ausência de lesões ósseas e a quantidade de proteínas anormais.

Este sistema de estadiamento é melhor usado como uma medida das quantidades globais de plasmócitos malignos presentes no paciente e é menos útil como medida de prognóstico.

Sistema Internacional de Estadiamento

O International Staging System (ISS) analisa os resultados de dois exames de sangue: o de b2-microglobulina e albumina para prever como o paciente pode reagir ao tratamento.

Níveis elevados de beta-2 -microglobulina refletem alta massa tumoral e redução da função renal, e baixa albumina sérica em pessoas com mieloma é causada principalmente por mediadores inflamatórios. Em geral, níveis mais altos de beta-2-microglobulina e níveis mais baixos de albumina estão associados a pior prognóstico.

O ISS divide o mieloma em 3 estágios, de acordo com os níveis dessas proteínas identificados no exame de sangue.

No planejamento do tratamento, também consideramos outros fatores. A saúde geral do paciente, a presença de outras doenças significativas, como doença cardíaca ou diabetes, a presença de doença renal, outros achados que influenciam a tolerância do paciente ao tratamento e o risco de dificuldades induzidas pelo tratamento são considerados quando analisamos se devemos tratar e que abordagem tomar.

Estratificação de Risco

A agressividade do mieloma múltiplo depende de algumas variáveis ​​que impactam a biologia da doença. Anormalidades genéticas vistas nas células do mieloma são um dos mais fortes preditores de agressividade do tumor. Como tal, todos os pacientes com diagnóstico recente são classificados como portadores de doença de risco alto, intermediário ou padrão com base na genética do tumor.

  • Doença de alto risco – Aproximadamente 25% das pessoas com mieloma apresentam doença de alto risco nos testes citogenéticos. Este tipo de mieloma é agressivo e pode encurtar a sobrevivência. Dessa forma, os pacientes com doença de alto risco são tratados com terapia mais agressiva.
  • Doença de risco padrão – Todos os pacientes com mieloma que não apresentam anormalidades genéticas de alto risco são considerados como de risco padrão. Com a terapia moderna, os pacientes com risco padrão têm uma sobrevida média estimada de 8 a 10 anos.

Estadiamento do Mieloma Múltiplo – Classificações

Para simplificar a maneira como classificamos o mieloma para identificar qual o melhor método de tratamento de mieloma, observamos se o mieloma está afetando os tecidos e órgãos do organismo e causando sintomas. Os sintomas avaliados são chamados CRAB, que significa a presença de:

  • Cálcio (níveis sanguíneos altos);
  • Renal (dano renal);
  • Anemia (níveis baixos de glóbulos vermelhos);
  • Dano ósseo (B de bone = osso em inglês).

Assim, podemos descrever o mieloma como: sintomático (com sintomas) ou assintomático (sem sintomas).

Mieloma Assintomático

O mieloma assintomático também é chamado de mieloma latente. Isso significa que o paciente não tem sintomas, mas apresenta resultados positivos em seu diagnóstico.

Não há um tratamento para mieloma assintomático. Mas o médico deve monitorar o paciente pelo menos a cada 3 meses. O mieloma assintomático eventualmente evolui para mieloma sintomático, mas não é possível saber com certeza quando isso acontecerá. O risco de progressão é maior nos primeiros 5 anos.

Mieloma Sintomático

O mieloma sintomático precisa de tratamento, pois significa que:

  • Há presença de células plasmáticas anormais na medula óssea;
  • Há uma área de células plasmáticas anormais no osso ou tecido mole (plasmocitoma);
  • Ocorreram danos a tecidos ou órgãos (tais como problemas ósseos, níveis elevados de cálcio, problemas renais ou níveis baixos de glóbulos vermelhos – anemia).

Mieloma Recidivado

O mieloma pode responder muito bem ao tratamento e entrar em remissão. Remissão significa que não há mais sinais de doença ativa ou as proteínas anormais podem permanecer no mesmo nível. Isso é chamado de doença estável.

Mas o mieloma muitas vezes volta ou o nível de proteína sobe novamente. É então chamado de mieloma recidivado ou mieloma recorrente. Isso demonstra a importância de continuar seu acompanhamento médico e seguir suas orientações, mesmo após a remissão do mieloma múltiplo.


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