Neoplasias de Células Mieloides. A formação e diferenciação das células mieloides (ou mielopoiese) é alterada em muitos distúrbios e doenças do sangue, incluindo leucemias mieloides crônicas e agudas, síndrome mielodisplásica, doenças mieloproliferativos, anemias por deficiência de ferro ou outros nutrientes, bem como várias condições hereditárias de insuficiência da medula óssea.

Compreender o desenvolvimento mieloide normal, bem como as mutações que podem ocorrer no desenvolvimento mieloide encontrados nessas doenças, foi e continuará sendo crítico na forma como tratamos os pacientes. Por isso, abordamos neste artigo o que são e como se dá a maturação das células mieloides, e também como ocorre o desenvolvimento do câncer nesta linhagem celular.

Neoplasias de Células Mieloides

Neoplasias de Células Mieloides

Contexto da Hematopoiese

A hematopoiese descreve o processo de diferenciação de uma célula-tronco hematopoiética para os tipos maduros e funcionais das células do sangue e do sistema imunológico. A linhagem hematopoiética é dividida em dois ramos principais: os braços mieloides e linfoides. Neste artigo, vamos nos concentrar nas células mieloides.

Todos os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas têm uma expectativa de vida fixa e são substituídos continuamente. As células-tronco formadoras de sangue – que residem principalmente na medula óssea em adultos – se multiplicam e produzem diferentes populações ou linhagens de células.

Todas as células sanguíneas maduras podem traçar sua linhagem a partir de um único tipo de célula, a chamada célula-tronco hematopoiética multipotente. Essas células-tronco se dividem, tanto para substituir elas mesmas quanto para formar “células progenitoras”.

Entre os descendentes da célula-tronco hematopoiética multipotente, existem diferentes tipos de células progenitoras: existe um progenitor linfoide comum e um progenitor mieloide comum. Cada progenitor pode dar origem a suas próprias famílias distintas de células sanguíneas.

Os glóbulos brancos conhecidos como linfócitos se desenvolvem a partir de progenitores linfoides, enquanto diferentes glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas se desenvolvem a partir dos progenitores mieloides. As células da linha mieloide normalmente representam cerca de 85% das células da medula no total.

As Células Mieloides

À medida que as células sanguíneas se desenvolvem, diferentes “famílias” se ramificam das células-tronco formadoras de sangue. A linha celular mieloide representa uma dessas famílias e suas células são aquelas que surgem das células progenitoras mieloides e se tornarão as seguintes células sanguíneas adultas específicas:

  • Basófilos;
  • Neutrófilos;
  • Eosinófilos;
  • Monócitos (presentes no sangue);
  • Macrófagos (presentes em diferentes tecidos);
  • Eritrócitos ou hemácias(glóbulos vermelhos);
  • Plaquetas.

Assim, cada um dos tipos de células acima representa o produto final ou o resultado do crescimento na família mieloide.

Os Tumores das Células Mieloides

É a linha celular mieloide que é afetada em “malignidades mieloides”, como leucemia mieloide aguda (LMA) e leucemia mieloide crônica (LMC).

De acordo com a American Cancer Society, a maioria dos pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) tem muitos glóbulos brancos imaturos no sangue, chamados de blastos, diminuindo a produção de glóbulos vermelhos (Anemia) ou plaquetas suficientes (plaquetopenia – cursando com sangramentos). Esses glóbulos brancos imaturos – que são células formadoras de sangue normalmente não encontradas no sangue circulante e nesse caso específico são células doentes,ou seja, não funcionam como glóbulos brancos maduros normais e impedem a mielopoiese adequada.

A maioria dos pacientes com leucemia mieloide crônica (LMC) tem muitos glóbulos brancos em diferentes fases de maturação, portanto mais diferenciadas que a LMA. Algumas dessas células brancas imaturas também podem estar presentes, porém em menor número do que na LMA.

Tanto na leucemia mieloide aguda quanto na crônica, a contagem de células sanguíneas pode sugerir leucemia, mas um diagnóstico definitivo requer biópsia da medula óssea e outros testes medulares e genéticos. Por exemplo, na fase crônica da leucemia mieloide crônica (LMC), há uma superprodução aberrante de células mieloides maduras. Na leucemia mieloide aguda (LMA), há um acúmulo rápido e anormal de progenitores mieloides imaturos na medula óssea e no sangue.

Uma maior compreensão dos mecanismos por trás da diferenciação mieloide pode ser importante para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas para essas doenças.

Conhecimento da Hematopoiese Mieloide no Desenvolvimento de Novas Terapias

Atualmente, tem havido desenvolvimento de terapias direcionadas para apenas um pequeno número de doenças que se beneficiam da manipulação de mielopoiese anormal. No entanto, o sucesso desses agentes só deve nos inspirar a continuar explorando essa estratégia terapêutica para outros distúrbios mieloides, incluindo LMA, LMC, mielofibrose, síndromes herdadas de insuficiência da medula óssea, anemia inexplicada dos idosos, entre muitas outras doenças. Para cada uma dessas condições, a caracterização detalhada do estágio aberrante do desenvolvimento mieloide pode ser crucial para o desenho de novas terapias direcionadas.

A compreensão da hematopoiese e do desenvolvimento de células mieloides tem amplas implicações para diversas áreas da medicina incluindo, transplante de células hematopoiéticas ou transplante de medula óssea, malignidade, infecção, entre muitos outros estados de enfermidade. Através desses estudos, obtemos informações sobre processos biológicos fundamentais e adquirimos conhecimentos que podem ser aproveitados em benefício dos pacientes.

Referência: American Society for Microbiology

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