Já temos um artigo aqui no site em que abordamos os aspectos gerais do mieloma múltiplo, incluindo causas, sintomas e diagnóstico. Em relação ao tratamento do mieloma múltiplo, podemos dizer que é bastante amplo, envolvendo aspectos como o controle dos diversos sintomas e as medidas para evitar o avanço da neoplasia.

Por este motivo, elaboramos um artigo para abordar especialmente este assunto. Acompanhe.

Tratamento do Mieloma Múltiplo

Apenas para contextualizar, o mieloma múltiplo (MM) é um câncer que se desenvolve nas células plasmáticas (um tipo de glóbulo branco que produz anticorpos), na medula óssea.

O crescimento descontrolado dessas células leva a um número inadequado de células sanguíneas saudáveis e pode causar dor e fraturas ósseas, grande quantidade de proteínas anormais, assim como danos aos rins.

Assim, o tratamento do mieloma múltiplo torna-se extremamente complexo, incluindo medicamentos quimioterápicos e não quimioterápicos, corticosteróides e transplante de medula óssea, sendo que cada uma dessas abordagens precisa ser analisada com cuidado.

Tratamento do Mieloma Múltiplo – Quando Iniciar

Como o mieloma múltiplo pode permanecer estável por longos períodos, o paciente com mieloma inicial que não apresenta sintomas pode ser aconselhado a aguardar por um período, antes de iniciar o tratamento.

Uma vez que esta fase, chamada de mieloma latente passe e os sintomas comecem a aparecer, o tratamento passa a ser recomendado.

Tratamento do Mieloma Múltiplo – Controle da Evolução da Doença

Fármacos Imunomoduladores

Essas substâncias estão disponíveis como comprimidos. Seu mecanismo de ação consiste em usar o sistema imunológico do próprio paciente para combater as células do mieloma.

Existem algumas restrições a seu uso, como em mulheres grávidas e o aparecimento de efeitos colaterais, como o aumento na possibilidade de desenvolver coágulos sanguíneos. Por este motivo, o acompanhamento do médico hematologista é essencial no uso desses medicamentos.

Anticorpos Monoclonais

Esse tratamento também é chamado de “imunoterapia”, porém, sendo diferente do com fármacos imunomoduladores. Os anticorpos monoclonais são proteínas do sistema imunológico modificadas, para ter como alvo grupos específicos de células. Eles atacam substâncias específicas (antígenos) na superfície das células do mieloma múltiplo.

Fármacos Inibidores do Proteassoma

O proteassoma é especialmente ativo nas células do mieloma múltiplo. Sua função é decompor as proteínas nas células. Os medicamentos inibidores do proteassoma bloqueiam essa ação. Dessa forma, as proteínas se acumulam nas células do mieloma múltiplo e elas morrem.

Quimioterapia

O tratamento com quimioterapia refere-se ao uso de medicamentos com o mecanismo de ação específica de parar ou retardar o crescimento das células cancerígenas, assim como interferir na sua longevidade. Na maioria dos pacientes, a quimioterapia controla parcialmente o mieloma múltiplo e em alguns casos, pode levar à remissão completa.

Transplante de Medula Óssea

O transplante de medula óssea pode ser feito utilizando as células do próprio paciente ou de um doador. No mieloma múltiplo, embora os transplantes não sejam curativos, prolongam a vida em grande parte dos pacientes, podendo ser realizados como parte da terapia inicial ou num momento de recaída.

Tratamento do Mieloma Múltiplo – Controle das Complicações

Níveis Elevados de Cálcio no Sangue

As pessoas com mieloma múltiplo apresentam maior perda óssea, levando a níveis elevados de cálcio no sangue.

O tratamento dessa complicação é realizado com o uso de fluidos intravenosos e prednisona. Medicamentos que atuam contra a perda óssea também podem ser recomendados. As pessoas com mieloma múltiplo devem, ainda, permanecer ativas, conforme possível, já que a atividade física ajuda a combater a perda óssea.

Dor Óssea e Fraturas

A dor óssea nos pacientes com mieloma múltiplo pode ser controlada com quimioterapia, analgésicos, radiação e medicamentos para fortalecimento ósseo. A atividade física, com cuidadosa prevenção de lesões, também promove a resistência óssea.

Função Renal Prejudicada

O tratamento da insuficiência renal geralmente inclui administração intravenosa de fluidos, diálise, uso de prednisona e de medicamentos que reduzem os níveis sanguíneos de ácido úrico. É importante beber bastante líquido e evitar o uso de medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides, que podem piorar a função renal.

Infecções

O uso diário de antibiótico pode ser necessário para prevenir infecções. Este uso deve ser constantemente monitorado pelo seu médico, assim como a imunização, ou seja, a escolha de vacinas que podem ajudar a evitar o desenvolvimento de infecções.

Compressão da Medula Espinhal

Esta complicação é uma emergência médica que necessita de tratamento imediato para evitar danos irreversíveis, como paralisia. Assim, o paciente deve ligar imediatamente para o médico, se apresentar forte dor nas costas; fraqueza, dormência ou formigamento nas pernas ou problema de controle da bexiga ou intestino.

O tratamento pode ser realizado com radiação e dexametasona, para reduzir o inchaço ao redor da medula espinhal ou com cirurgia para aliviar a pressão, se essas medidas não forem eficazes.

Anemia  

Quando a anemia causa sintomas, pode ser necessário transfusões de sangue ou tratamento com injeção de eritropoietina, uma substância que estimula a produção de glóbulos vermelhos, de uma a três vezes por semana.

Espessamento do Sangue

Essa complicação raramente ocorre em pessoas com mieloma múltiplo, sendo tratada com plasmaférese, filtração do sangue, para remover o excesso de proteínas que causa o espessamento.

Lembre-se sempre de que o seu médico hematologista de confiança é a melhor fonte de informações para tirar dúvidas e solucionar preocupações relacionadas ao seu tratamento. Juntamente com você, ele é o responsável por decidir o momento de iniciar cada uma dessas abordagens terapêuticas.

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